jul
19
  Negar perdão e guardar ressentimento

 
Música: Sérgio Lopes – A força do perdão

Cada um de nós tem dificuldade em perdoar e pedir perdão. Uns mais, outros menos. O problema é agravado quando, além de não conseguir fazer uma ou as duas coisas ao mesmo tempo, a pessoa decide guardar raiva, rancor, ressentimento, tudo com "r" de ruim.
Perdoar é uma decisão. Esta decisão deve ser completa. Uma vez tomada a decisão de perdoar, não permitir que a ofensa continue trazendo peso sobre o ofendido, ou seja, você mesmo. É o que chamamos de "colocar uma pedra em cima”.
Sabemos que debaixo da pedra está a ofensa, mas decidimos não mais olhar para ela. Também decidimos que não levantaremos a pedra, mesmo que recebamos uma nova ou mais grave ofensa da mesma pessoa que nos ofendeu. Primeiro, porque decidimos perdoar. Segundo, porque decidimos colocar no seu devido lugar o fardo da ofensa recebida.
Penso que a dificuldade para perdoar está no pensamento de que terá de esquecer a ofensa, como quem apaga tudo o que foi escrito com giz num quadro-negro. É humanamente impossível esquecer o fato em si, pois aconteceu, mas é humanamente possível optar por não trazê-la à memória tanto para sofrer novamente (ressentir) quanto para lançar no rosto do ofensor (fazer refém). Não se deixar ressentir é o mesmo que esquecer. É tirar de sobre si o peso da afronta recebida.
Para algumas pessoas ofendidas, perdoar é como deixar livre o ofensor sem punição. Pensam que, uma vez perdoando, transformar-se-ão numa pessoa boba, idiota, ou outro adjetivo depreciativo. Estou certo de que não é verdade, que não é isso que acontece de fato. Acredito sim numa transformação para melhor: uma pessoa mais bela, mais leve, mais de bem com a vida.
Deus fez o homem com capacidade de discernir entre o bem e o mal. Deu-lhe consciência. Todas as vezes que o homem fere ou ofende o seu próximo, o faz também ao Criador. Conseqüentemente, em sua consciência receberá o peso da ofensa que cometeu. Ainda que tente demonstrar o contrário, a consciência do ofensor acarreta-lhe punição, quer seja naquele momento, bem como as conseqüências da ofensa cometida, mais adiante: perda de uma amizade, quebra de comunhão com os pais, o cônjuge, filho (s), etc., isto sem contar que o corpo recebe a mesma carga. É a lei da semeadura “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará" (Gálatas 6 : 7). Além disso, receberá o juízo divino. É desta forma que creio.
Já o que recebeu a ofensa, por mais dura que seja, podemos fazer algumas breves considerações: ainda que a ofensa seja justificada, ou seja, alguém ofendeu uma pessoa por algum erro cometido, no momento da ofensa é-lhe concedida a oportunidade de refletir sobre seu erro e se consertar daí por diante. A ofensa,
então, produziu algo positivo ao ofendido: reflexão sobre o erro e consertar-se para não mais errar.
Se a ofensa não tem fundamento, por mais duras que sejam as palavras ou atitudes tomadas contra ela, o ofensor é, então, injusto e mentiroso e o ofendido, inocente. Passado o momento do episódio em que ocorreu a ofensa, o ofendido tem a consciência tranqüila de que não é aquilo que lhe disseram (a ofensa), tampouco merecia recebê-la. Logo, é também positiva, pois não lhe acarretará fardo algum SE, em seu coração, DECIDIR PERDOAR.
Quando a decisão é não perdoar, penso que as conseqüências mais desastrosas são para o ofendido que para o ofensor, em especial se este se arrepender da ofensa cometida conta aquele.
Há alguns anos atrás travei uma luta contra o ressentimento. Numa conversa acalorada um amigo me disse coisas que ofendeu e magoou profundamente. Cada um seguiu seu caminho e o ressentimento começou a destruir minha comunhão com Deus.
Por providência divina, alguém que não sabia de nada me enviou duas mensagens: uma com o título “Ressentimento” e outra “Perdão”.
O modo como Deus trabalhou meu coração naquela ocasião foi tremendo. Decidi limpar meu coração das mágoas e ressentimentos e passei a viver uma nova vida.
Tirei, de uma vez por todas, todo o fardo que pesava sobre mim.
Jesus ensinou como devemos agir quando das ofensas recebidas. “Então, Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete" [ou seja, quantas vezes for necessário] (Mateus 18:23-24). Na oração dominical Jesus ensinou: “perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores”
(Mateus 6:12). Se não perdoamos, tornamo-nos mentirosos diante de Deus e nossas orações não são respondidas.
Nas vezes que ensinou sobre o perdão, Jesus foi categórico em dizer: “Porque se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas” (Mateus 6:14-15). Na parábola do credor incompassivo, aquele que teve a dívida perdoada, cujo montante era-lhe humanamente impossível pagar, mas não teve compaixão e não perdoou o seu servo, Jesus disse: “E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que lhe pagasse toda a dívida. Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão” (Mateus 18:34-35).
A Bíblia nos ensina a não guardar ressentimentos: “Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira. Nem deis lugar ao Diabo” (Efésios 4:26-27). “Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens; não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas daí lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor. Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Romanos 12:17-21).
A decisão de perdoar tem início em Deus. Para perdoar os pecados da humanidade, Deus entregou seu filho Jesus Cristo para morrer na cruz. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”; “…porque ele salvará o seu povo [a humanidade] dos pecados deles”,
respectivamente, João 3:16 e Mateus 1:21.
Deus tomou a decisão de perdoar o homem. Assim como perdoar é uma decisão, aceitar o perdão é também uma decisão.
De hoje em diante, sugiro rever as ofensas cometidas e recebidas. Todos nós carecemos de pedir perdão e receber perdão. Assim como escrevi no início que raiva, rancor, ressentimento, escreve-se com "r" de ruim, é também com a letra “R” que escrevemos seus antídotos.
RECONCILIAÇÃO, com o irmão que brigou por alguma coisa séria, ou sem sentido.
RESTAURAÇÃO do casamento que está prestes a ruir, ou mesmo já tendo havido a separação, Deus pode ajudá-lo a restaurar.
REATAR os laços de uma amizade de tantos anos cuja comunhão foi quebrada por algo simples, por um desentendimento ou ainda que tenha sido por algo sério.
Este post é o mais longo que já escrevi. Tenho consciência de que maiores serão as bênçãos em sua vida que a multidão de letras deste escrito se você deliberar hoje em o seu coração pedir perdão a quem ofendeu, ou liberar perdão àquele que o ofendeu.
A Bíblia diz que tudo é possível ao que crê. Crer também é uma decisão, assim como pedir perdão e perdoar e, ainda, não guardar ressentimento. Você sozinho não conseguirá fazê-lo. Mas, com a ajuda de Deus, você conseguirá.





jul
11
  Encharcando com lágrimas o seu altar


Música: Eu sei que tu me amas – Marco Aurélio

Nestas últimas semanas o Senhor me conduziu a textos falando sobre o altar. Altar lembra sacrifício. O altar era o lugar onde o sacrifício (a oferta) era trazido e apresentado a Deus. Por sua vez, a oferta deveria ser perfeita, de modo a ser recebida pelo Senhor, caso contrário era rejeitada.
Hoje não mais precisamos sacrificar nos moldes do Velho Testamento, pois Jesus, o Cordeiro de Deus, foi oferecido como sacrifício perfeito pelos nossos pecados. Então, por que o altar, por que o sacrifício?
Primeiro refleti sobre a passagem de Elias e os profetas de Baal (I Reis 18:20-39), fazendo uma analogia dos momentos que somos levados a chorar devido as circunstâncias.
O texto diz que Elias “restaurou o altar do Senhor, que estava em ruínas” e fez uma vala em volta. Em seguida mandou que derramassem água três vezes. Desse modo, o altar ficou encharcado e as valas cheias de água. Às vezes choramos tanto que nossas lágrimas podem encharcar o altar.
A segunda passagem que andei meditando foi a de Paulo, em sua Carta aos Romanos, quando diz: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto [adoração] racional” (Romanos 12:1). Sacrifício vivo: dar a Deus o primeiro lugar, mesmo que as circunstâncias apontem para a medicina, no caso de uma enfermidade; para uma desistência, quando uma situação já não mais tem solução humana. Culto racional: com palavras de adoração, testemunho sob a forma de atitudes e palavras. Um viver contínuo na presença de Deus, de perseverança, de exercício da fé, sem inconstâncias.
Mas é preciso reparar o altar. Somos altar e sacrifício a Deus ao mesmo tempo. É com a nossa vida (altar) que apresentamos a nossa oferta (culto, adoração). Se o altar está quebrado, sujo, é preciso restaurá-lo primeiro. As rachaduras, sujeiras ou mesmo desmoronamentos podem ser uma falta de perdão, uma mágoa, um ressentimento, ou outro pecado oculto qualquer. É preciso limpar e reparar, nos moldes de I João 1:9. Após, então, o sacrifício poderá ser apresentado a Deus.
A vida do crente requer, em vários momentos, o derramamento de lágrimas, que encharcam o altar (a vida). Há ocasiões em que somos impelidos a chorar, seja por forças das circunstâncias, quando a prova parece que nos suplantará, seja pela manifestação da glória de Deus em nossas vidas, que nos faz quebrantar perante Ele. Não tenha medo nem vergonha de chorar. Chorar não diminuirá a sua fé, tampouco fará minguar a sua comunhão com o Senhor. Muito pelo contrário. Sua sensibilidade será aprimorada, sua fé lapidada, e estou certo que estará mais próximo de Deus. O choro nos faz correr para os braços do Pai, como faz a criança quando cai e se machuca e suplica por socorro, carinho e cuidado.
Elias, quando enfrentou os profetas de Baal desafiou-os dizendo “o deus que responder por fogo esse é que é Deus” (I Reis 18:24). Quando Elias orou, desceu fogo do céu e consumiu o holocausto. Quando Elias orou, “caiu fogo do Senhor, e consumiu o holocausto, e a lenha, e as pedras, e a terra, e ainda lambeu a água que estava na vala” (18:38).”
As lágrimas derramadas sobre o altar (sua vida, sobre si mesmo) não impedirão o fogo de Deus cair e consumir o holocausto (o seu sacrifício), fazendo subir um cheiro suave até o Senhor.

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