Música: O cheiro das águas – Diante do Trono III
A Palavra de Deus é tremenda em seus ensinamentos e conforto. Ao mais abatido, ao cheio de dores, doente, desesperançado, enfraquecido… enfim, àquele que parece ter chegado ao fundo do poço, sempre haverá poder para levantar, fazer cessar as dores, curar, dar esperança, fortalecer; erguer dos monturos àquele que, aos olhos do homem, nada mais lhe resta a fazer.
Estou concluindo a leitura do Livro de Jó, ao qual me apeguei desde os primeiros dias de internação hospitalar e, pela terceira vez estou chegando ao final.
À semelhança dos amigos de Jó, entre aspas mesmo, há quem ouse tentar explicar o sofrimento de outrem, como quem busca uma explicação para todas as coisas. Se um ônibus bate e fere ou mata pessoas há que se buscar culpados: o motorista, a falta de manutenção do veículo, da estrada, da sinalização, do que provocou ou não o acidente, do Governo, do guarda de trânsito etc.
A mesma regra se aplica à vida das pessoas. Se alguém está sofrendo ou passando por alguma dificuldade, querem a todo custo atribuir a culpa a alguém: ao próprio sofredor, que só pode estar em pecado ou é incrédulo, a ponto de não alcançar a cura, a vitória etc., ou o Diabo. Este, por sinal, é quem mais leva a culpa por tudo. Não vai aqui a minha defesa ao maligno, mas penso que é preciso, acima de tudo crer e ver que há um Deus Todo Poderoso, que detém o controle sobre todas a coisas e é soberano em sua vontade.
Lendo a história de Jó, fica difícil não chorarmos com o sofrimento dele. Não dá para ficarmos insensíveis à sua luta, às acusações sofridas.
O modo como sofre o homem, declarado íntegro pelo próprio Deus, é estarrecedor. No entanto, apesar de toda dor, ele não blasfema nem um só instante.
Se eu falar, a minha dor não cessa; se me calar, qual é o meu alívio? Na verdade, as minhas forças estão exaustas; tu ó Deus, destruíste a minha família toda. Testemunha disto é que já me tornaste encarquilhado, a minha magreza já se levanta contra mim e me acusa cara a cara. Em paz eu vivia, porém ele me quebrantou; pegou-me pelo pescoço e me despedaçou; pôs-me por seu alvo. O meu rosto está todo afogueado de chorar, sobre as minhas pálpebras está a sombra da morte, embora não haja violência nas minhas mãos, e seja pura a minha oração. Os meus amigos zombam de mim, mas os meus olhos se desfazem em lágrimas diante de Deus“ (16:6-8,12,16,17,20). Pôs longe de mim a meus irmãos, e os que me conhecem, como estranhos, se apartaram de mim. Os meus parentes me desampararam, e os meus conhecidos se esqueceram de mim. Os que se abrigam na minha casa e as minhas servas me têm por estranho, e vim a ser estrangeiro aos seus olhos. Chamo o meu criado, e ele não me responde; tenho de suplicar-lhe, eu mesmo. O meu hálito é intolerável à minha mulher, e pelo mau cheiro sou repugnante aos filhos de minha mãe. Até as crianças me desprezam, e, querendo eu levantar-me, zombam de mim. Todos os meus amigos íntimos me abominam, e até os que eu amava se tornaram contra mim. Os meus ossos se apegam à minha pele e à minha carne, e salvei-me só com a pele dos meus dentes (Jó 19:13-20).
Você crê que haja neste mundo pessoas passando pelas mesmas privações e sofrimentos que Jó passou? Eu creio e não preciso ir muito longe. Sequer preciso sair da minha cidade para contemplar pessoas que estão passando algo semelhante ou pior. Nos leitos dos hospitais pessoas com AIDS, câncer, doenças terminais; pessoas que estão apodrecendo nos subsolos de presídios, na sarjeta, nos asilos. Talvez o que as diferencia de Jó, em alguns casos, é que a Bíblia declara que Jó era um homem íntegro diante de Deus e algumas destas pessoas estão longe de Deus. Algumas sequer querem ouvir falar no nome dele. Mas não importa, Deus não faz acepção de pessoas. ELE AMA TODAS IGUALMENTE DÁ ESPERANÇA, através de seu filho Jesus Cristo, as todos que nele crerem.
À medida que aumentava o sofrimento de Jó, aumentava-lhe também o conhecimento, a intimidade com Deus. Há quem se desespere ao mínimo sofrimento. Mas Jó não, ele não conseguia compreender o que estava acontecendo, mas uma coisa ele sabia:
Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra. Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus. Vê-lo-ei por mim mesmo, os meus olhos o verão e não outros Jó 19:25-27.
O que mais me intriga em Jó é que ele mantém sua integridade. Críticos e estudiosos apresentam críticas e listam uma série de erros e falhas cometidas por Jó durante o prolongado sofrimento a que foi submetido. Para mim isso não modifica a personalidade, a fé, e a integridade daquele homem de Deus. Quem já não gritou depois de ter sido perfurado várias vezes por agulhas de injeção? Quem já não gritou basta! após ter seu corpo cortado e recortado inúmeras vezes pelo bisturi? Quem já não se desesperou e até mesmo se desorientou ante as fortes dores a que foi submetido no seu sofrimento numa luta que parece não mais ter esperança contra a doença?
Queridos, posso dizer que isso tem acontecido comigo algumas vezes, mas uma palavra que ficou marcada no meu coração esta semana, razão pela qual resolvi escrever este post, foram estas escritas pelo próprio Jó:
Porque há esperança para a árvore, pois, mesmo cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus rebentos. Se envelhecer na terra a sua raiz, e no chão morrer o seu tronco, ao cheiro das águas brotará e dará ramos como a planta nova (Jó 14:7-9)
Portanto, HÁ ESPERANÇA PARA O FERIDO, PARA O ABATIDO, O DESESPERANÇADO, O QUE ESTÁ, A SEUS OLHOS, NO FUNDO DO POÇO. PORQUE DEUS DÁ ESTA ESPERANÇA EM JESUS CRISTO! ALELUIAS!
Mas quero completar, declarando como Jó, e o desafio a fazer o mesmo, mesmo que lhe custe o derramamento de lágrimas ou ainda o último suspiro:
Tão certo como vive Deus, que me tirou o direito e o Todo-Poderoso, que me amargurou a minha alma, ENQUANTO EM MIM ESTIVER A MINHA VIDA, E O SOPRO DE DEUS NOS MEUS NARIZES, NUNCA OS MEUS LÁBIOS FALARÃO INJUSTIÇA, NEM A MINHA LÍNGUA PRONUNCIARÁ ENGANO. LONGE DE MIM QUE EU VOS DÊ RAZÃO! ATÉ QUE EU EXPIRE, NUNCA AFASTAREI DE MIM A MINHA INTEGRIDADE Jó 27:2-5.

Sou alguém que Deus deu uma nova chance de viver. Após oito cirurgias na coluna lombar (a última dia 23/04/09) e sucessivas infecções hospitalares, venci uma batalha, que durou três anos e oito meses - janeiro de 2006 a setembro deste ano - osteomielite crônica em duas vértebras da coluna lombar. Uma ressonância magnética realizada no dia 25/09/09 constatou que a infecção foi controlada e o local cicatrizado. Sou um milagre vivo do poder de Deus.
Alegre, dinâmico, de bem com a vida. Casado com Sonia Regly há 30 anos. Duas filhas, dois netos.
Pastor evangélico Batista há 17 anos, Pedagogo e Educador Religioso.
Gosto de cozinhar, dirigir, escrever e ler; de crianças, uma boa música; de cheiro de mato, plantas e jardins.
Amo minha família, meus amigos e o meu País. 






























