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  Pai! Feliz 80 anos!

"Os bons florescem como as palmeiras; eles crescem como os cedros dos montes Líbanos. Eles são como árvores plantadas na casa do Senhor, que florescem nos pátios do Templo do nosso Deus. Na velhice, eles ainda produzem frutos; são sempre fortes e cheios de vida. Isso prova que o Senhor Deus é justo, prova que ele, a minha rocha, não comete injustiça" – Salmo 92:12-15

Pai, quando olho para os seus retratos, tenho profunda alegria por ver cumpridas em sua vida muitas promessas de Deus. Sabe, pai? Quando eu era mais jovem, não me lembro de ter feito uma "parada para balanço", para contabilizar as muitas batalhas e inúmeras vitórias em nossas vidas.

Estive relembrando alguns episódios das nossas vidas e, como era minha intenção homenageá-lo com este post, resolvi escrevê-los, para relembrarmos que a beleza da vida foi e ainda está sendo construída com muita dignidade, esforço e trabalho.

Estava aqui a relembrar quando você saía para cavar poços, depois de uma noite trabalhada na limpeza urbana. [abro aqui este colchete para dizer-lhe, pai, que fui ensinado a chamá-lo de senhor e sinto-me mais à vontade de tratá-lo assim; porém, com o passar dos anos, nos tornamos tão próximos, que chamá-lo de você expressa melhor esta nossa comunhão e intimidade] Às vezes, ia lhe levar água, o bule de café ou o almoço. Muitas vezes o encontrei com o rosto cansado, suado, mas sempre disposto, ensinando-me, pelo exemplo, a dignidade do trabalho. Nunca o vi reclamando de trabalho, mas sempre grato a Deus pela oportunidade de ganhar "uns trocados a mais" e poder tocar a vida.

Também não me esqueço, pai, do dia em que estava sem dinheiro e a mamãe perguntou-lhe onde você ia. Você respondeu "vou sair para vender estes franguinhos e daqui há pouco volto com dinheiro". E lá se foi você com os franguinhos pendurados num cabo de vassoura. Não demorando muito, voltou com o dinheiro e o deu para ela feliz da vida.

Recordei-me das vezes que me levou ao seu trabalho, ainda na limpeza urbana, nos dias de pagamento. Apresentava-me aos seus colegas com alegria e orgulho. Tinha prazer em dizer a série que estavas cursando e frisava que o seu menino já possuía mais estudo que você mesmo.

Lembrei-me também, pai, daquelas noites em que você chegava mais cedo em casa e às vezes cantava suas modas de viola para " mexer" com a mamãe. Você cantava a "Moreninha Linda" ou então "Índia" e ainda " Eu tenho uma mula preta com sete palmos de altura"… E você nos pegava no colo e nos fazia de sanfona e fazia assim “farafafum, fum, fum” e quase nos matava de tanta cócegas; ríamos até não poder mais; cantava ainda “serra, serra, serrador, quantas táboas já serrou, meia dúzia, sim, senhor… e imitava o barulho do serrote. Depois você contava a história do "mané sentado" ou do "matei sete com um tapa". Nós pensávamos que o sujeito era mesmo valente, mas quê! Ele matara sete mosquitos com um tapa e ficávamos frustrados com isso.

Pai, um dos dias mais importantes de nossas vidas foi quando nós nos convertemos. Foi no segundo domingo de 1965. Pai, eu me lembro que fomos à frente juntos, após o apelo feito pelo Pr. Óbison Cabral de Carvalho. A igreja cantava o hino 89 do Cantor Cristão: Há poder. Quando entoavam o coro, levantamos você, eu e o José, e entregamos nossas vidas a Jesus.

Há poder, poder, força sem igual,
Só no sangue de Jesus,
Há poder, poder, prova o pecador,
Oh! Aceite o dom de Jesus.

Antes, você nos ensinara aquela oraçãozinha: "
Agora me deito para dormir
Me guarda meu Deus em seu amor
Se eu morrer, sem acordar
Recebe a minha alma, ó Senhor! 

Depois, além de nos falar da Bíblia, de realizar aqueles concursos na igreja, você também nos contava como a vovó, serva do Deus Altíssimo, estava sempre a cantar hinos para o Senhor.

É provável que você não se lembre das vezes que brincou conosco de "pique-lata", "pique-esconde", naquelas noites quentes lá do "barracão" daquele dia que o Cosminho acertou a sua cabeça com a lata (do pique) e a brincadeira acabou no mesmo instante… hi hi hi … Ali você reuniu muitos Regly, nos idos de 1970 e as fotos? Você sempre fez questão de fotografar alguns momentos. Por isso temos muitos momentos de nossas vidas documentados, registrados na história.

Lembro-me do dia em que me levou naquele quartel da Marinha e pediu para falar com o Oficial de Dia. Você queria que eu seguisse a carreira militar e foi comigo buscar informações de como proceder. Disse para o oficial que o seu sonho era me ver oficial de Marinha, pois você fora marinheiro. O Senhor não me permitiu ser oficial da Marinha, mas me chamou para ser oficial do seu exército, não é pai?

Mesmo sem muita instrução você escrevia os seus próprios folhetos para evangelização e não tinha vergonha dos erros de português. Você se preocupava com as almas, com os seus amigos, colegas de trabalho, vizinhos ou mesmo estranhos que surgiam na sua frente. Não perdia (e nem perde) a oportunidade de falar de Jesus e do plano de salvação.

Desde que se converteu encheu-se de amor pelas crianças da igreja e foi trabalhar com elas. E nós estávamos entre elas, pois nos convertemos na infância. Sempre com o desejo de fazer mais e mais para o Senhor e pelas crianças, você fez o Curso de Evangelização na APEC (Associação Pró-Evangelização de Crianças) e realizou inúmeras EBFs (Escola Bíblica de Férias).

Emociono-me todas as vezes que me lembro do dia em que você enfartou e as crianças foram para a igreja e pediram para a zeladora abrir o templo. Ela disse para aquelas crianças: "o irmão João está no hospital e não vai ter atividades para vocês hoje" e elas disseram para aquela irmã que sabiam que você estava doente e estavam ali para orar por você. Era cerca de quarenta crianças e a zeladora disse que chorou ao ver que cada uma delas fez a sua oração por você. E você saiu do hospital e pode voltar a trabalhar com elas.

Pai, você sempre insistiu em fazer o culto doméstico conosco, mesmo quando era muito difícil e ainda o faz até hoje. A campainha tocava, outras crianças queriam comprar picolé e você as colocava para dentro, dizia para elas que depois do culto venderia o sorvete. E, por causa disso, quantas famílias se converteram no prédio onde morávamos? Dos muitos meninos que passaram pela nossa casa, cinco se tornaram pastores, inclusive eu. Tudo porque você sempre citava "Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele" (Provérbios 22:6). Você não sabe o quando fico feliz quando lhe telefono e você pede para ligar "daqui mais um pouquinho", porque está fazendo o culto doméstico. Em seguida você retorna e diz: "acabei de orar por vocês todos: pelos filhos, pelas noras, netos e bisnetos; agora você pode falar que eu estou escutando".

Você tem me ensinado ainda muitas coisas. Uma delas é que devo orar sempre. Até mesmo para apertar um parafuso você diz que pede a ajuda ao Senhor e assim você tem consertado coisas na igreja, fazendo "algumas artes", é claro, mas sempre trabalhando. Já na terceira idade você fez um curso de teatro e tem saído com os seus irmãos para apresentações em algumas igrejas.

Pai, eu poderia ficar aqui relembrando muitos momentos que temos vivido juntos. Graças a Deus sou o seu primogênito, sendo, portanto, o primeiro dos filhos a contemplar as coisas em família e relembrá-las.

Esta minha homenagem não é só minha. Estou certo de que o Zezinho e o Cosminho endossam estas palavras; bem como suas noras Sonia, Méia e Vilma; pela ordem de nascimento, os netos e netas: Lívia, Wagner, Evelyn, Léo, Paula, Leandro, Raquel, Priscila; bisnetos: Gabriel, Giovanna e José Lucas.

Pai, eu amo você muito e lhe desejo muitos anos de vida. Você me disse hoje que quer viver até os 102 e fiquei pensando que, se vivermos até lá, estarei com 72… Acho que vou estar velhinho, Pai!

Feliz aniversário! Com amor e carinho de todos nós! Antonio, Sonia, José, Méia, Cosme, Vilma, Lívia, Wagner, Evelyn, Léo, Paula, Leandro, Raquel, Priscila, Gabriel, Giovanna e José Lucas.
 

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